Curso de Serviço Social passa por boom de vagas e oportunidades
Crescimento do terceiro setor e de programas sociais federais e estaduais revalorizou a profissão
Em pouco mais de cinco anos, um curso que perdia candidatos e tinha poucas perspectivas de emprego passou por uma reviravolta e, agora, vive um boom. São faculdades oferecendo graduação em Serviço Social, outras abrindo mais vagas nos cursos já existentes, órgãos federais e estaduais promovendo concursos e uma nova geração de candidatos com interesse renovado pela profissão.
Esse boom não é percebido só pelos professores e especialistas da área. Ele aparece claramente nas estatísticas oficiais. O número de vagas saltou de 9.757 em 2001 para 23.024, em 2006 - a maior parte delas em instituições privadas, pegando carona no movimento de expansão do setor desde o fim dos anos 90.
MAIOR PROCURA
Em relação aos concluintes, a mudança foi de 8 mil para 16 mil alunos por ano nesse mesmo período, segundo o Ministério da Educação (MEC). A Uninove, por exemplo, reabriu o curso no começo do ano, após pesquisa de mercado na qual aparecia crescimento da demanda. Há alguns anos, a mesma instituição chegou a fechar seu curso por falta de candidatos. A Cruzeiro do Sul aumentou as turmas. A PUC-SP, uma das mais tradicionais neste curso, também percebeu maior procura.'A sociedade tem passado por mudanças interessantes, com maior preocupação em inclusão, em garantia de direitos. Houve a descentralização da área social e o aumento e a profissionalização do terceiro setor, tudo isso após a Constituição de 1988', diz a presidente do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Ivanete Boschetti, que é professora da Universidade de Brasília (UnB).
'Afinal, é o assistente social quem organiza e implementa políticas sociais, hoje mais voltadas para mudanças do que só para assistencialismo'. No último ano, o CFESS registrou mais de 8 mil recém-formados que passaram a atuar na profissão, crescimento de mais de 10% nos cerca de 74 mil assistentes sociais brasileiros.