Caco Barcellos, um dos maiores repórteres da América Latina, que se especializou em jornalismo investigativo, documentários e grandes reportagens sobre violência e injustiça social, atualmente apresentador do programa Profissão Repórter, da Rede Globo, ministrou uma palestra cativante e inspiradora para os alunos da UNINOVE, sobre sua carreira no jornalismo, os desafios e a importância da reportagem. A iniciativa, em parceria com a Microsoft, foi realizada nos dias 18/5 e 3/4, nos auditórios dos campus Memorial e Vergueiro e mediada pelo coordenador dos cursos de Jornalismo, prof. Alexandre Barbosa.
Em sua palestra Caco, que também é escritor premiado por livros como Rota 66 e Abusado: O Dono do Morro Dona Marta, fez uma abordagem sobre os desafios para a construção das obras de âmbito jornalístico, apresentou aspectos interessantes da sua carreira, como a origem pobre na periferia de Porto Alegre/ RS, a importância da família na sua formação como pessoa, o trabalho de taxista, meio que o auxiliou no pagamento de suas contas e faculdade, o início no jornalismo e a primeira oportunidade como repórter de rua, onde descreveu suas experiências no dia a dia como motorista de táxi, com personagens dos mais diversos perfis e estilo de vida.
“A informação é o bem mais valioso para ser bem-sucedido. A experiência e a herança pessoal, independente da situação financeira, fazem a diferença, desde que você saiba dar conta da importância que ela pode ter na sua vida para tirar proveito dela”, explicou.
O repórter que presenciou terremotos, relatou guerras, ficou na mira de fuzis, denunciou policiais e contou como o crime organizado funciona, destacou a importância da qualidade na informação, em qualquer segmento editorial. “Não podemos deixar de registrar de perto o que está acontecendo. Muitos profissionais com a urgência de contar primeiro esquecem que é possível disputar com as tecnologias e noticiar com mais profundidade e compromisso. Um exemplo é a guerra de ocupação feita pelos Estados Unidos e Reino Unido no Iraque, onde três centenas de câmeras estavam ao vivo aguardando o registro da queda da bomba, antes mesmo da chegada do bombardeiro B-52. Não há porque correr e chegar primeiro, pois nenhuma das ferramentas tecnológicas tem a capacidade de explicar por que aquela bomba está caindo. Em minha opinião se vocês me permitem afirmar, está na hora de não chegar tão depressa, mas sim com melhor conteúdo”, inflamou para os presentes.
No encerramento da palestra, o jornalista passou uma mensagem aos futuros profissionais de jornalismo. “Haverá sempre grandes desafios em nossa carreira. Para enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais complicado, confiem na sua força e a retaguarda que teve para chegar até aqui. Usem a seu favor, não se intimidem, acreditem no seu caminho e na profissão que querem seguir, as oportunidades e possibilidades se bem aproveitadas aumentam a chance de ser bem-sucedido e feliz”.